Desautomatização

você é a porra da minha kriptonita porque eu sou a porra de uma super mulher sem você. sem a sua falta de paz, mas você aparece e tudo me leva a querer ser sua. eu fujo de mim mesma procurando outros que me protejam desse amor febril. eu me escondo entre almas pra que a sua personalidade nada pessoal não me tome como um vinho barato. mas eu quero ir até o último ato com você. eu quero assinar aquele tal contrato de venda. eu só quero que você me entenda que compreenda que entre nós o amor é prazer e bem mais. seus olhos só me colocam numa cruz e eu morreria por essa luz doentia que a gente vive parindo. tua boca me deixa existir de um jeito mais sublime e agora é jimi hendrix num solo que quase me fez gozar e se suas pernas cruzam a minha sala o que eu posso fazer é te amar. seu corpo descansa sobre o meu sofá mas todo resto flutua. eu não posso querer ser sua, eu não posso me deixar ser suja

mas você é minha lama
eu preferia o purgatório a sua cama
mas eu sei que é só no inferno que a gente se ama
lembra: o inferno sou eu
se renda
e agarra tudo que em mim é seu… oh baby, tudo é.

yas

"Estranhices"

Não é estranho?
O que é estranho?
Foi estranho.
Esse encontrar desprogramado.
É estranho nossos passos terem se cruzado.

Será estranho querer estar no seu passado.

Adeus, Roxane, porque hoje eu morri.
Eu sei que vai ser hoje, minha amada, mas meu coração ainda tão pesado de amor sem lhe haver dito… E eu vou morrer sem lhe dizer. Meus olhos não beberão a vista de você como vinho. Nunca mais um olhar como um beijo, seguirei sua doce graça. Lembro-me agora seu jeito de empurrar para trás, uma mecha de cabelo em sua testa, com a mão… E meu coração chora, chora e continua chorando. Adeus, minha querida. Minha queridíssima, meu próprio coração, meu próprio tesouro… Meu amor. Eu nunca estarei longe de você. Até agora, eu não te deixarei. Em outro mundo, eu ainda serei aquele que te ama, ama-te além da medida.

Cyrano de Bergerac, 1950.

Maio, dois mil e catorze, outono. Vi um homem recolhendo ossos de sonhos mortos.

Trecho d’um texto

Dança. Derrete teu corpo em minha língua. Mostra a minha boca os caminhos furtivos do prazer. Mostra-me tuas pernas. Você sabe da minha loucura por coxas. Quero avermelhar teu corpo, deixar minha marca, sem nome ou endereço. Deixa eu ser o pensamento que te tenta nas madrugadas ou nos banhos. Escuta. Consegue ouvir teus próprios suspiros?

Estou sempre precisando de consolo, costumo me sentir fraca e com frequência deixo de atender às minhas expectativas. Sei disso, e todos os dias resolvo ser melhor.
O Diário de Anne Frank.
damn dream

houve uma festa, no meio da cidade, num galpão, com cerveja quente e jazz.

os letreiros luminosos e azuis diziam:
“BEM VINDO AO INFERNO, TRAGA UM PEDAÇO DO SEU”
e eu levei você.

(y)

Emma… Você tinha me perguntado se eu acreditava no amor eterno. O amor é abstrato demais, e indiscernível. Ele depende de nós, de como nós o percebemos e vivemos. Se nós não existíssemos, ele não existiria. E nós somos tão inconstantes… Então, o amor não pode o ser também. O amor se inflama, morre, se quebra, nos destroça, se reanima… nos reanima. O amor talvez não seja eterno, mas a nós ele torna eternos… Para além da nossa morte, o amor que nós despertamos continua a seguir o seu caminho.
— Azul é a cor mais quente
Ilha não é só um pedaço de terra cercado de água por tudo quanto é lado. Ilha é qualquer coisa que se desprendeu de qualquer continente. Por exemplo: um garoto tímido abandonado pelos amigos no recreio, é uma ilha. Um velho que esperou a visita dos netos no Natal e não apareceu ninguém, é uma ilha. Até um cara assoviando leve, bem humorado, numa rua cheia de trânsito e stress, é uma ilha. Tudo na gente que não morreu, cercado por tudo o que mataram, é uma ilha. Toda ilha é verde. Uma folha caindo é ilha cercada de vento por tudo quanto é lado. Até a lágrima é ilha, deslizando no oceano da cara.
Oswaldo Montenegro. 

Quando pensei em voltar é que era mesmo a hora de partir. Tentar refazer o caminho inverso não dá, pisar nas mesmas pegadas enquanto se anda de costas é o mesmo que pedir para se desequilibrar e cair. Existem mais caminhos a seguir que terminações nervosas espalhadas pelo corpo. Mas seguir ir em frente a qualquer custo, implica em cambalear como bêbado tentando caminhar em linha reta. Ser um bêbado, ou caminhar como um, não faz ninguém melhor. A sobriedade é uma das melhores condições que posso estar para escolher o que seguir. Não há como restaurar o império romano assim como ele realmente foi no ápice de sua glória. Não há como juntar pedaços felizes e formar uma bela escultura, no mínimo formará um monstro disforme que pode ser, em partes, bonito e noutras parecer um monstro saído da imaginação de alguém. Apesar da variedade de caminhos, estou no meio do lago Ness, bem no meio, imerso em suas águas turvas e sem respirar. Não estou perdido, só quero enxergar o que está a me esperar.

todas as canções do rádio contam sobre você.
Resabinar. 

"o que resta a mim é partir sem nunca ter chegado"